Douglas Wires, nasceu em 1971, é casado e mora atualmente no Rio de Janeiro, atuando no mercado de turismo desde 1995. Fluente em inglês, é emissor Amadeus e Sabre de passagens aéreas nacionais e internacionais. Trabalhou em empresas como: VARIG, OCEANAIR e CARLSON WAGONLIT, adquirindo sólidos conhecimentos e experiência em cálculos de tarifas aéreas, supervisão de reservas e negociação de serviços de viagens.

VÔO FRETADO É SINÔNIMO DE DESTINO POPULAR E PREJUDICA A INDUSTRIA DO TURISMO DE UM PAÍS



Roberto de Almeida Dultra, ex-presidente da Bito, do Rio CVB e tradicional empresário do turismo receptivo brasileiro, critica a iniciativa da Embratur de subsídio à captação de voos fretados internacionais. Segundo ele, destino de voos charters ganha a imagem de destino popular, baseado em preço, e afugenta os turistas de qualidade. Dultra ainda argumenta que o gasto de dinheiro público com a captação dessa modalidade de voos fretados não beneficia o turismo brasileiro, apenas gera ações pontuais e limitadas. 


Em resposta ao artigo de Roberto de Almeida Dultra, o diretor de Mercados Internacionais da Embratur, Marcelo Pedroso, argumenta que os charters são importantes para alguns destinos, especialmente para captação do turista intrarregional e que o Brasil é um País para todas as classes de turistas e não apenas para o A e A+, como aponta Dultra em seu artigo. Pedroso concorda em parte com Dultra quando ele diz que o recurso que entra pelo turista fica concentrado em poucas empresas. Porém, quando ele afirma que os destinos dos voos fretados abrangem somente hospedagem em resorts all in, Pedroso descorda porque há hotéis que não contam com sistema de refeição completa. Ou seja, em algum momento os turistas vão consumir alimentos da gastronomia local. Por fim, Pedroso responde a pergunta de Dultra: “QUEM É QUE GANHA COM O PROGRAMA VOO DIRETO?”, a Embratur é sim uma das grandes beneficiadas pelo programa dos voos charters porque por meio da entrada de turistas e da diversificação dos destinos podemos mostrar ao mundo que temos diversas opções turísticas a serem exploradas.


O consultor jurídico da Abav-SP, Joandre Ferraz, usa sua experiência no setor, inclusive com 14 anos de passagem pela Embratur, para concordar com Dultra e fazer outras análises. Ao invés da Embratur incentivar voos charters do Exterior que, segundo os especialistas em receptivo, nada gerarão de útil para o País, seja pelo perfil do viajante, seja pelo dos fornecedores de serviços que o atenderão, "gastando vela com defunto ruim", a Embratur deveria focar seus incentivos no turismo doméstico, que afinal, continua representando 80% de um setor carente  de uma boa infraestrutura aeroportuária e de melhorias nos acessos rodoviários.


ENTENDA O PROGRAMA VOO DIRETO
Por meio do edital do Programa Voo Direto, a Embratur disponibiliza R$ 8 milhões para auxiliar as secretarias de turismo a captar voos internacionais para seu estado. O Programa Voo Direto visa sistematizar de forma pública e transparente a entrada de turistas latino americanos em vôos fretados de curta distância no Brasil. Em todo o planeta, o turismo intrarregional é responsável por mais de 80% da circulação de estrangeiros. É assim na Europa, no Sudeste Asiático e no Caribe e agora é a vez do Brasil estimular esse mercado de fretamento para ficar mais preparado para receber os turistas que virão para os grandes eventos esportivos, como a Copa do Mundo Fifa 2014 e os Jogos Olímpicos e Paraolímpicos de 2016.

O EQUÍVOCO DOS CHARTERS
Qualquer profissional experiente do setor sabe que esses programas de voos fretados não agregam nada, por razões muito simples:
  • Como o Brasil não está entre os destinos mais baratos do mundo, a Embratur tem de interferir no equilíbrio natural da lei de oferta e procura, subsidiando e/ou assumindo riscos, para atrair o interesse de uma operadora estrangeira que monte e opere um programa de voo fretado para um destino brasileiro.
  • A empresa aérea será forçosamente uma empresa estrangeira de fretamento de aviões, até mesmo porque não temos empresas brasileiras de fretamento de aeronaves de grande porte, nem nossas companhias aéreas dispõem de aeronaves para esse tipo de fretamento – voos semanais durante vários meses, incluindo nossa temporada alta (verão brasileiro) quando nosso clima tropical mais atrai os turistas do hemisfério norte, que está no inverno.
  • Os hotéis “brasileiros” que recebem esses grupos de voos fretados quase sempre são hotéis do tipo resort “all-inclusive” (importante nesse tipo de pacote), de grupos hoteleiros estrangeiros, com os quais a operadora estrangeira do programa tem maior poder de negociação.
  • Os serviços no destino brasileiro ficam praticamente limitados aos traslados aeroporto-hotel-aeroporto, com a única adição, em alguns casos, de um passeio simples do tipo city tour. Ou seja, a rigor, a operadora do programa não precisa nem contratar os serviços de uma agência brasileira de turismo receptivo, pois, pela internet ou com o próprio guia coordenador do programa, pode contratar diretamente esse serviço de uma empresa local de ônibus, bem como os guias locais que forem necessários.
  • As empresas de ônibus e guias locais certamente concordarão com preços inferiores aos praticados aqui no Brasil com agências receptivas, por diversos motivos (ociosidade da frota, garantia de fluxo de caixa, possibilidade eventual da não emissão de nota fiscal ou recibo de autônomo, etc.).
  • Os turistas estrangeiros que compram esses pacotes são, em sua esmagadora maioria, pessoas de classe média baixa, para os quais o fator determinante da compra é o preço. Ou seja, turistas que estão mais interessados em descansar do que conhecer o destino (fazer turismo local) e/ou fazer compras.
QUEM É QUE GANHA COM O PROGRAMA VOO DIRETO? 
  • A operadora estrangeira ganha pela inclusão de mais um produto em seu portfólio; ganha a promoção gratuita do programa, subsidiada pela Embratur ou secretaria estadual de turismo; pode até ganhar também um subsidio da Embratur (ou secretaria estadual de turismo) para a garantia da realização dos voos fretados; e ganha um lucro razoável se o programa alcançar um bom nível de vendas.
  • A empresa estrangeira fretadora de aeronaves ganha pelo fretamento.
  • O grupo estrangeiro proprietário do hotel/resort ganha pelo menos a garantia de ocupação de 90 a 100 ou até mais apartamentos durante alguns meses, com todas as consequências positivas que isso traz para o hotel. 
Chegamos então à conclusão de que a única ganhadora no Brasil é a Embratur, que poderá divulgar o fato de que seu Programa de Apoio à Promoção Internacional de Voos Fretados foi responsável pela vinda de mais alguns milhares de turistas estrangeiros, engordando a importante estatística, que, infelizmente, parece ser o único objetivo da Embratur! Será que vale a pena investir R$ 8 milhões só para engordar a estatística da Embratur?! Será que o Brasil é um país tão pobre e destituído de atrativos que precisa “comprar” turistas para aumentar o fluxo de turistas internacionais?!

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